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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Temas Geradores


Trabalhar com temas geradores implica, necessariamente desenvolver uma metodologia que onde há dialogicidade, e tomada de consciência dos indivíduos.  Desenvolver essa metodologia envolve a superação do conhecimento disciplinar fragmentado. O tema gerador possui a capacidade de impulsionar a troca de saberes, e valorização e respeito as diferenças de cada sujeito.

Eu acredito que trabalhar a partir de um tema gerador é proporcionar ao estudante uma aprendizagem a respeito de algo que já tem construído, mas que pode ser reconstruído e ampliado. É atribuir um sentido, uma explicação, para aquele conhecimento pré-concebido.


Educação libertadora se constrói a partir do diálogo entre educadores e educando, onde todos os saberes são valorizados, em uma relação horizontal. Nessa vídeo podemos observar uma sala de aula de EJA,  onde a educadora desenvolve sua aula a partir da palavra-geradora BARRACO. 


A professora apresenta a palavra juntamente com uma imagem, e conversa com os educandos sobre o que aquela palavra remete a eles. Em seguida surge questões como aluguel, casa própria, e a sobrevivência. É interessante como a turma troca ideias sobre a importância da moradia, em um movimento de troca de ideias e politização.  A seguir a turma segue conversando sobre a grafia da palavra. Paulo Freire sempre considerou a educação um ato político, uma ferramente para transformar a sociedade. 


Refletindo sobre a EJA

      A atividade de encerramento da interdisciplina "Educação de Jovens e Adultos no Brasil" solicitou que realizássemos observações ou entrevistas com alunos / ex- alunos / futuros alunos desta modalidade. Essa atividade foi realizada em grupo, optamos por visitar a  Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Judith Macedo de Araújo, localizada na periferia de Porto Alegre.  Essa escola possui 180 alunos matriculados na EJA, e proporciona a comunidade escolar as T1, T2, T3. 
         Atualmente há a união da T1, T2.  Quanto a esse fato percebe-se o descaso político que a EJA recebe do município de Porto Alegre. Infelizmente é comum a união de turmas de EJA para que se alcance o número mínimo de alunos por turma, contudo isso pode prejudicar o progresso  individual dos estudantes que compõe a turma, assim como demandar mais atividades a professora responsável. A professora deverá realizar planejamentos distintos para os estudantes das respectivas totalidades.




Um outro ponto que chamou a nossa atenção foi o vinculo afetivo entre a professora e os estudantes.A partir das observações foi possível notar a presença do vínculo afetivo da professora com a turma.  Lopes (1991, p. 46) destaca que “as virtudes do professor que consegue estabelecer laços afetivos com seus alunos repetem-se e intrincam-se na forma como ele trata o conteúdo e nas habilidades de ensino que desenvolve”.

Referências:
LOPES, Antonia (et al). Repensando a Didática. São Paulo: Papirus, 1991.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

O que buscam os alunos da EJA?

      A atividade da interdisciplina Educação de Jovens e Adultos me fez refletir sobre "o que buscam os alunos da EJA?" essa reflexão vem de encontro com o fato da minha tia-avó (65 anos) ter retornado a escola esse ano. Ela é um pouco diferente da grande maioria dos estudantes adultos que são migrante das áreas rurais empobrecidas que chega às grandes metrópoles, trabalhador em ocupações de baixa qualificação profissional e remuneração (OLIVEIRA, 1999), pois a Maria* embora tenha migrado do interior para a capital de Porto Alegre, trabalhou em ateliês famosos, recebendo consequentemente um salário razoável, mas que provavelmente se tivesse a educação básica concluída seria maior. 
      A associação das leituras com a história da minha tia-avó vai de encontro com a necessidade que os estudantes da EJA têm de se adequar a escola, sendo que essa não tem como público original adultos e jovens (OLIVEIRA, 1999), tendo como consequência currículo, métodos e programa que não dialogam com o seu público.  Maria* solicitou em alguns momento  ajuda a sua família, pois não estava compreendendo como "funcionava algumas coisas na escola". A solicitação de trabalhos de pesquisa em livros, biblioteca e internet, com “normas” estabelecidas pela professora não fazia sentido para ela. 
      Paulo Freire compreende o ser humano como um ser histórico, social e incompleto. A partir dessa perspectiva as autoras Gomes e Vargas (2013)  reconhecem que o estudante jovens e adultos possuem diversos conhecimentos  e experiências acumuladas ao longo da vida, mas que necessitam das instituições escolares para desenvolver o cognitivo, afetivo, moral e todas as suas potencialidades.  Entretanto para que isso aconteça, e os jovens e adultos não desistam da escola, é importante o enriquecimento e adaptações das propostas curriculares, assim como a formação continua dos professores e gestores. A minha tia-avó procurou a EJA por desejo pessoal de aprender mais, pois nesse momento ela se encontra aposentada, mas ao esbarrar na burocracia das escolas se sentiu extramente desmotivada e deslocada,mas ela ainda não desistiu. Entretanto, estou ciente que esse é apenas um retrato e não reflete as inumas realidadeS (no plural) que existe na nossa sociedade. Acredito que diariamente muitos jovens e adultos desistem de frequentar as escolas, pois essas não estão adaptadas para trabalhar diante da pluralidade. 





REFERÊNCIAS:

 OLIVEIRA, Marta Khol. Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. Arquivo in: REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO Set/Out/Nov/Dez 1999 n.º 12. Trabalho apresentado na XXII Reunião Anual da ANPEd, Caxambu, setembro de 1999.



VARGAS, Patrícia Guimarães; GOMES, Maria de Fátima Cardoso. Aprendizagem e desenvolvimento de jovens e adultos: novas práticas sociais, novos sentidos. Arquivo in: Educação e Pesquisa. São Paulo, v. 39, n. 2, p. 449-463, abr./jun. 2013.

domingo, 1 de abril de 2018

Linha História da Educação de Jovens e Adultos (EJA)

A interdisciplina "Educação de Jovens e Adultos no Brasil"  solicitou que construíssemos uma linha do tempo da história da EJA . Inspirada pela linha do tempo realizada na interdisciplina de "Educação e Tecnologias da Comunicação e Informação" consultei com o meu grupo sobre o que elas achavam de utilizarmos outras ferramentas. Feito as combinações, eu parti em busca de ferramentas e websites para a construção da "Linha do Tempo", encontrei algumas, mas a que achei mais fácil de manusear é a do TIMEGRAPHICS.

A partir da construção da linha histórica compreendi que educação de Jovens e Adultos sempre foi um desafio para o nosso país, quando em  1958 até 1964 demonstrava-se avanços, o processo foi estagnado e regredido pelo Golpe Militar. "O Golpe Militar de 1964 produziu uma ruptura política em função da qual os movimentos de educação e cultura populares foram reprimidos, seus dirigentes, perseguidos, seus ideais, censurados. O Programa Nacional de Alfabetização foi interrompido e desmantelado, seus dirigentes, presos e os materiais apreendidos." (HADDAD; DI PIERRO, 2000, p. 113 apud VIEGAS; MORAES, 2017). 

Estudar história é importante, principalmente para não cometermos os mesmos erros!




Timeline

Referências:

FRIEDRICH, Márcia et al . Trajetória da escolarização de jovens e adultos no Brasil: de plataformas de governo a propostas pedagógicas esvaziadas. Ensaio: aval.pol.públ.Educ.,  Rio de Janeiro ,  v. 18, n. 67, p. 389-410,  June  2010 .

VIEGAS, Ana Cristina Coutinho. MORAES, Maria Cecília Sousa. Um convite ao retorno: relevâncias no histórico da EJA no Brasil. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação. v. 12, n. 01, jan-mar (2017)