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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Refletindo sobre a EJA

      A atividade de encerramento da interdisciplina "Educação de Jovens e Adultos no Brasil" solicitou que realizássemos observações ou entrevistas com alunos / ex- alunos / futuros alunos desta modalidade. Essa atividade foi realizada em grupo, optamos por visitar a  Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Judith Macedo de Araújo, localizada na periferia de Porto Alegre.  Essa escola possui 180 alunos matriculados na EJA, e proporciona a comunidade escolar as T1, T2, T3. 
         Atualmente há a união da T1, T2.  Quanto a esse fato percebe-se o descaso político que a EJA recebe do município de Porto Alegre. Infelizmente é comum a união de turmas de EJA para que se alcance o número mínimo de alunos por turma, contudo isso pode prejudicar o progresso  individual dos estudantes que compõe a turma, assim como demandar mais atividades a professora responsável. A professora deverá realizar planejamentos distintos para os estudantes das respectivas totalidades.




Um outro ponto que chamou a nossa atenção foi o vinculo afetivo entre a professora e os estudantes.A partir das observações foi possível notar a presença do vínculo afetivo da professora com a turma.  Lopes (1991, p. 46) destaca que “as virtudes do professor que consegue estabelecer laços afetivos com seus alunos repetem-se e intrincam-se na forma como ele trata o conteúdo e nas habilidades de ensino que desenvolve”.

Referências:
LOPES, Antonia (et al). Repensando a Didática. São Paulo: Papirus, 1991.

Comênio e a Didática Magna


     Comênio nasceu em 1592 na República Chega, foi pastor da igreja protestante, educador, cientista e escritor. É intitulado o pai da didática, pois escreveu o livro Didáctica Magna, considerado um marco significativo no processo de sistematização da didática.
           Comênio  buscava através da “didática magna” alguns objetivos que considero relevantes, faço destaque para seguintes considerações:


·         Educação é um direito universal, portanto todos os sujeitos independentes sexo, credo ou nacionalidade. Considerei essa questão da educação independente do sexo algo extremamente revolucionário, pois sabemos que até poucos anos atrás algumas culturas excluíam as mulheres da educação.
·         O objetivo do Comênio através da Didática Magna era “ investigar e descobrir o método segundo o qual os professores ensinem menos e os estudantes aprendam mais; nas escolas, haja menos barulho, menos enfado, menos trabalho inútil, e, ao contrário, haja mais recolhimento, mais atractivo e mais sólido progresso”, nota-se a preocupação e o desejo que os estudantes rendam de maneira produtiva, não se sintam entediados, e sim atraídos pelo processo de aprender.
·         “E de ensinar rapidamente, ou seja, sem nenhum enfado e sem nenhum aborrecimento para os alunos e para os professores, mas antes com sumo prazer para uns e para outros”, o autor busca através da metodologia adequada o prazer e alegria dos professores e dos estudantes no processo de ensino de aprendizagem.




O livro “Orbis Pictus”, com data da primeira publicação em 1658, é extramente semelhante aos materiais que encontramos em algumas salas de alfabetização após 360 anos! Esse fato me faz refletir se metodologia é extremamente eficaz ou se não atualizamos os nossos recursos didático-pedagógicos há mais de 300 anos.



Fonte:
COMÉNIO, João Amós. Didácta Magna: tratado da arte de ensinar tudo a todos. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1996. 525 p.

Inquiry Based Science Education (ISBE)


Recentemente eu li um artigo intitulado  “Construção coletiva de conhecimentos na pesquisa em educação nas ciências”[1] de autoria da Drª Neusa Maria John Schei. O referido artigo apresenta uma metodologia, a Inquiry Based Science Education (ISBE), como possibilidade para a construção coletiva de conhecimentos na área da educação em ciências. Essa metodologia utiliza a contribuição dos recursos das Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDICs) para formação de cidadãos críticos e ativos. 

A estrutura da ISBE baseia-se na metodologia construtivista de Rodger Bybee (2006), e constitui-se de 5 etapas: envolvimento, exploração, explicação, ampliação e avaliação.  O Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, a fim de enriquecer mais ainda a metodologia, acrescentou mais duas etapas: partilha e desenvolvimento. Cada uma dessas etapas apresenta a capacidade de envolver os estudantes em pesquisas cientificas, favorecendo a autonomia e a responsabilidade.  As TDICs estão fortemente presentes em cada uma das etapas, não de uma maneira estática, mas sim com a possibilidade de auxiliar na criação, assim como na interação entre os estudantes e professores.
Por ser uma metodologia construtivista, ao ler o artigo me recordei dos "Projetos de Aprendizagem", pois estes também são elaborados a partir das curiosidades dos estudantes. Outra semelhança é que os estudantes possuem papeis ativos no processo de construção do seu conhecimento, e os professores agem mediadores, auxiliando-os. Compartilho abaixo um vídeo bem interessante sobre a metodologia, e no final da postagem o link do artigo. 


[1] SCHEID, Neusa Maria John. Construção coletiva de conhecimentos na pesquisa em educação nas ciências. Revista Pesquisa Qualitativa, v. 5, n. 9, p. 452-465, 2017. Disponível em < http://rpq.revista.sepq.org.br/index.php/rpq/article/view/141/94>


domingo, 1 de abril de 2018

Linha História da Educação de Jovens e Adultos (EJA)

A interdisciplina "Educação de Jovens e Adultos no Brasil"  solicitou que construíssemos uma linha do tempo da história da EJA . Inspirada pela linha do tempo realizada na interdisciplina de "Educação e Tecnologias da Comunicação e Informação" consultei com o meu grupo sobre o que elas achavam de utilizarmos outras ferramentas. Feito as combinações, eu parti em busca de ferramentas e websites para a construção da "Linha do Tempo", encontrei algumas, mas a que achei mais fácil de manusear é a do TIMEGRAPHICS.

A partir da construção da linha histórica compreendi que educação de Jovens e Adultos sempre foi um desafio para o nosso país, quando em  1958 até 1964 demonstrava-se avanços, o processo foi estagnado e regredido pelo Golpe Militar. "O Golpe Militar de 1964 produziu uma ruptura política em função da qual os movimentos de educação e cultura populares foram reprimidos, seus dirigentes, perseguidos, seus ideais, censurados. O Programa Nacional de Alfabetização foi interrompido e desmantelado, seus dirigentes, presos e os materiais apreendidos." (HADDAD; DI PIERRO, 2000, p. 113 apud VIEGAS; MORAES, 2017). 

Estudar história é importante, principalmente para não cometermos os mesmos erros!




Timeline

Referências:

FRIEDRICH, Márcia et al . Trajetória da escolarização de jovens e adultos no Brasil: de plataformas de governo a propostas pedagógicas esvaziadas. Ensaio: aval.pol.públ.Educ.,  Rio de Janeiro ,  v. 18, n. 67, p. 389-410,  June  2010 .

VIEGAS, Ana Cristina Coutinho. MORAES, Maria Cecília Sousa. Um convite ao retorno: relevâncias no histórico da EJA no Brasil. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação. v. 12, n. 01, jan-mar (2017)

A Escola Ideal

No encontro presencial da  interdisciplina "Didática, Planejamento e Avaliação" , ministrada pela professora Simone Bicca, fizemos uma atividade a partir de uma história onde extraterrestres nos convidavam para ir em seus planetas e montar uma escola a partir das nossas ideologias. Eu considerei a atividade interessante, e realizei a mesma proposta com os meus alunos do 8º ano do Ensino Fundamental  da Rede Estadual de Educação.  A atividade foi realizada em grupos onde eles dispunham de alguns materiais para construir a escola ideal como folha de ofício, papel cartaz, canetas hidrocor, lápis e régua. Expliquei que eles deveriam pensar na estrutura física, nas disciplinas, regras e valores que a escola deveria adotar. Compartilho com vocês dois resultados:

GRUPO 1: ESCOLA STELAR
Este grupo deu andamento a história lida antes da atividade que propunha a construção de uma escola em outro planeta, portanto, construíram a escola no Planeta Tamaran, com muita criatividade criaram um endereço e coordenadas.  O grupo optou por uma escola com funcionamento nos três turnos.  De acordo com o grupo, a modalidade de ensino seria a partir de matérias/disciplinas : matemática, química, física e ciências. Os estudantes da escola Stelar poderiam optar pela realização de oficinas de música, informática culinária, robótica e mecânica. O ensino de linguagens contaria com as opções de Tamarãriano (língua oficial do planeta), inglês, português. coreano e Japonês. Acredito que a opção pela língua coreana e japonesa se deu devido ao fato que esse grupo de estudantes tem forte ligação com a cultura oriental, gostam de assistir animes, ler mangás e séries coreanas.

As "regras" da escola seriam: 
"usar roupas apropriadas;
 não desrespeitar os professores;
 é inaceitável o bullying;
 não pode faltar as aulas;
é permitido usar o celular, mas com moderação."


Esta imagem ao lado demonstra a faixada da escola. Nota-se que há um observatório astronômico na escola.


































O grupo representou detalhadamente a estrutura inteira da escola Stelar com  "sala de química", "sala de informática", "depósito", "banheiro feminino/masculino", "cozinha", "sala dos professores", "diretoria", "vestiário", "deposito" e uma "creche". 



 Na imagem abaixo é possível observar o/a: "planetário", "sala de linguagens", "biblioteca", "sala de telestransporte", "refeitório" e uma "sala comum".


 A área externa seria composta por: "armazém", "cúpula da horta", "sala de realidade virtual", "quadra de futebol e basquete", "sala do observatório astronômico" e "pista de corrida"



GRUPO 2: "E.E.E.F SANVILAS"

Este grupo optou por uma representação mais simples de uma escola ideal. De acordo com eles, a escola ideal seria composta de "quadra de futebol/utilizada para correr também", "quadra de volei", "quadra de karatê", "sala de professores", "secretaria", e "sala de computadores. Este trabalho chamou a minha atenção, pois as cadeiras estão dispostas em fileiras (algo que não acontece na sala real dos estudantes), e há um horário com a disciplinas que serão estudadas durante a semana. Quando perguntei ao grupo o porquê de existir "períodos vagos" e a ausência da disciplina de português. Ele respondeu " Ah, os professores sempre faltam, eles não são de ferro e ficam doentes. E português não tem porque não é importante".

A escola em que leciono, como a maior parte da escolas da rede estadual, sofre constantemente com a falta de professores. Hoje iniciamos o mês de abril e eles ainda não tiveram uma aula única de português.


A partir desta atividade realizada com a turma é possível observar que alguns grupos optaram por realizar escolas com características "interplanetárias", e outros com características mais "terráqueas". Contudo, ambas possuem em sua maioria atributos que podemos encontrar em escolas existentes, como bibliotecas, laboratório de informática, quadra de esporte, horta e sala temáticas. Entretanto, há também particularidades fortemente ligadas com a tecnologia, por exemplo, a sala de realidade virtual, observatório astronômico e planetário.
A totalidade dos desenhos realizados pela turma reflete a realidade da escola brasileira: ausência de professores, sucateamento com a escola pública. Recursos e estruturas básicas, como um laboratório de informática, biblioteca e quadra de esportes entram para a lista de "desejos", pois não fazem parte da escola pública real. 

domingo, 18 de março de 2018

Linguagem e Educação

      Na segunda-feira (12/03/17) ocorreu a nossa primeira aula da interdisciplina "Linguagem e Educação" ministrada pela professora Ivany. Esta professora estava (como sempre) bem humorada, alegre, disposta a compartilhar seus conhecimentos e nos fazer refletir sobre a aquisição da linguagem. Conversamos  em um grande sobre as nossas teorias de como uma criança aprender a falar, após assistimos vídeos que demonstrava crianças "conversando" com adultos a sua maneira. Em seguida realizamos a leitura do artigo "Aquisição da linguagem" publicado em 22 de julho de 2010, por Samanta Demétrio da Silva.
      O artigo cumpre o seu papel ao fazer um apanhado das principais teorias sobre aquisição da linguagem. Durante a leitura tomamos conhecimento de maneira clara e objetiva sobre as principais teorias de autores como Skinner, Chomsky, Pinker e Vygotsky. Em dupla com a minha colega Jaquline construímos um "esquema" sobre o que foi lido e discutido em aula. Compartilho com vocês abaixo: