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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Temas Geradores


Trabalhar com temas geradores implica, necessariamente desenvolver uma metodologia que onde há dialogicidade, e tomada de consciência dos indivíduos.  Desenvolver essa metodologia envolve a superação do conhecimento disciplinar fragmentado. O tema gerador possui a capacidade de impulsionar a troca de saberes, e valorização e respeito as diferenças de cada sujeito.

Eu acredito que trabalhar a partir de um tema gerador é proporcionar ao estudante uma aprendizagem a respeito de algo que já tem construído, mas que pode ser reconstruído e ampliado. É atribuir um sentido, uma explicação, para aquele conhecimento pré-concebido.


Educação libertadora se constrói a partir do diálogo entre educadores e educando, onde todos os saberes são valorizados, em uma relação horizontal. Nessa vídeo podemos observar uma sala de aula de EJA,  onde a educadora desenvolve sua aula a partir da palavra-geradora BARRACO. 


A professora apresenta a palavra juntamente com uma imagem, e conversa com os educandos sobre o que aquela palavra remete a eles. Em seguida surge questões como aluguel, casa própria, e a sobrevivência. É interessante como a turma troca ideias sobre a importância da moradia, em um movimento de troca de ideias e politização.  A seguir a turma segue conversando sobre a grafia da palavra. Paulo Freire sempre considerou a educação um ato político, uma ferramente para transformar a sociedade. 


Comênio e a Didática Magna


     Comênio nasceu em 1592 na República Chega, foi pastor da igreja protestante, educador, cientista e escritor. É intitulado o pai da didática, pois escreveu o livro Didáctica Magna, considerado um marco significativo no processo de sistematização da didática.
           Comênio  buscava através da “didática magna” alguns objetivos que considero relevantes, faço destaque para seguintes considerações:


·         Educação é um direito universal, portanto todos os sujeitos independentes sexo, credo ou nacionalidade. Considerei essa questão da educação independente do sexo algo extremamente revolucionário, pois sabemos que até poucos anos atrás algumas culturas excluíam as mulheres da educação.
·         O objetivo do Comênio através da Didática Magna era “ investigar e descobrir o método segundo o qual os professores ensinem menos e os estudantes aprendam mais; nas escolas, haja menos barulho, menos enfado, menos trabalho inútil, e, ao contrário, haja mais recolhimento, mais atractivo e mais sólido progresso”, nota-se a preocupação e o desejo que os estudantes rendam de maneira produtiva, não se sintam entediados, e sim atraídos pelo processo de aprender.
·         “E de ensinar rapidamente, ou seja, sem nenhum enfado e sem nenhum aborrecimento para os alunos e para os professores, mas antes com sumo prazer para uns e para outros”, o autor busca através da metodologia adequada o prazer e alegria dos professores e dos estudantes no processo de ensino de aprendizagem.




O livro “Orbis Pictus”, com data da primeira publicação em 1658, é extramente semelhante aos materiais que encontramos em algumas salas de alfabetização após 360 anos! Esse fato me faz refletir se metodologia é extremamente eficaz ou se não atualizamos os nossos recursos didático-pedagógicos há mais de 300 anos.



Fonte:
COMÉNIO, João Amós. Didácta Magna: tratado da arte de ensinar tudo a todos. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1996. 525 p.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Centro de Interesse

    Nossa última atividade da interdisciplina de didática foi referente a um método globalizado chamado "Centros de Interesse". A atividade foi em grupo, e nós precisavamos elaborar um projeto dentro dos pressuposto da metodologia criada pelo Ovide Decroly (1871 - 1932).
      Esse método parte de situações ou temas que interessa aos estudantes, e sobretudo busca satisfazer as suas próprias necessidades naturais que implicam no conhecimento do meio e das formas de reagir a ele. Portanto, é um método que é constituído não somente pelo estudante, mas também pela família, escola, sociedade, seres vivos e não vivos, e o universo. Nessa proposta para cada centro de interesse ocorrem três etapas observação pessoal e direta, associação no espaço e tempo, e expressão.


Compartilho com vocês a proposta da nossa atividade construída em grupo:



TEMA : A vida de Van Gogh.
PROFESSORAS:  Kênia, Lêda, Iasmim, Jaqueline e Simone  Pellenz.
SÉRIE: 5º ano
Áreas do Conhecimento: Artes, História e Língua Portuguesa.

Nossa proposta parte do interesse da turma pelas obras de Van Gogh, e tem como objetivo de despertar nos alunos a relação com seu cotidiano proporcionando assim um reflexão sobre o mesmo.  Vincent Van Gogh (1953-1890) foi um pintor holandês considerado uma das figuras mais famosas e influentes da história da arte ocidental. Ele criou mais de dois mil trabalhos. Suas obras abrangem paisagens, naturezas mortas, retratos e auto retratos caracterizados por cores dramáticas e vibrantes, além de pinceladas impulsivas e expressivas que contribuíram para as fundações da arte moderna (WIKIPÉDIA).

       Objetivos por áreas de conhecimento:

História:
- Reconhecer-se como indivíduo.
- Identificar seu núcleo familiar, hábitos, costumes, comunidade.
- Comparar estes hábitos e costumes com os dos colegas.
- Refletir sobre formas de manter ou modificar estes hábitos e costumes, de acordo com suas necessidades e vontades.

 Artes:
- Apreciar obras de arte, descrevendo o que vê e o que sente.
- Analisar e estabelecer relações entre o título da obra com a obra em si.
- Perceber os elementos ( as cores, linhas, textura) que compõem a obra e  examinar o direcionamento da luz utilizada pelo pintor.

Língua Portuguesa:
- Criar uma peça teatral (com roteiro) ou uma música com base em uma das obras.

2)      Desenvolvimento:
Com o intuito de contemplar as três fases para o desenvolvimento de um Centro de Interesse (observação - direta e indireta -, associação e expressão, propomos os seguintes passos:

A primeira fase de um Centro de Interesse é a OBSERVAÇÃO, por este motivo propomos a apresentação da biografia e obras de Van Gogh através de filmes, fotos, livros, etc. As obras que pensamos estarem mais de acordo com a proposta são:
A noite estrelada (1889)
O quarto (1888)
Os comedores de batata (1885)
A casa amarela (1888)
Auto-retrato (1889)
O homem velho com a cabeça em suas mãos (1890)
A igreja e Auvers (1890)

A seleção foi feita a partir do pressuposto de que as cenas destes quadros remetem ao cotidiano de nossos alunos. No entanto, nada impede que, no desenvolvimento da atividade, outras obras sejam mostradas. A partir da observação destas obras, além dos aspectos estéticos, será proposto a observação dos alunos de seu próprio cotidiano, possibilitando a ASSOCIAÇÃO entre as diferentes realidades (a do aluno, de seus colegas e a retratada por Van Gogh). 
A fase de EXPRESSÃO, permeará a proposta em tempo integral, proporcionando aos alunos expressarem-se oralmente, através de desenhos, pinturas, teatros, músicas, danças, entre outros. 



Referências:
ZABALA, Antoni. Enfoque globalizador e pensamento complexo: uma proposta para o currículo escolar. Porto Alegre: ARTMED Editora. 2002. 

domingo, 1 de abril de 2018

A Escola Ideal

No encontro presencial da  interdisciplina "Didática, Planejamento e Avaliação" , ministrada pela professora Simone Bicca, fizemos uma atividade a partir de uma história onde extraterrestres nos convidavam para ir em seus planetas e montar uma escola a partir das nossas ideologias. Eu considerei a atividade interessante, e realizei a mesma proposta com os meus alunos do 8º ano do Ensino Fundamental  da Rede Estadual de Educação.  A atividade foi realizada em grupos onde eles dispunham de alguns materiais para construir a escola ideal como folha de ofício, papel cartaz, canetas hidrocor, lápis e régua. Expliquei que eles deveriam pensar na estrutura física, nas disciplinas, regras e valores que a escola deveria adotar. Compartilho com vocês dois resultados:

GRUPO 1: ESCOLA STELAR
Este grupo deu andamento a história lida antes da atividade que propunha a construção de uma escola em outro planeta, portanto, construíram a escola no Planeta Tamaran, com muita criatividade criaram um endereço e coordenadas.  O grupo optou por uma escola com funcionamento nos três turnos.  De acordo com o grupo, a modalidade de ensino seria a partir de matérias/disciplinas : matemática, química, física e ciências. Os estudantes da escola Stelar poderiam optar pela realização de oficinas de música, informática culinária, robótica e mecânica. O ensino de linguagens contaria com as opções de Tamarãriano (língua oficial do planeta), inglês, português. coreano e Japonês. Acredito que a opção pela língua coreana e japonesa se deu devido ao fato que esse grupo de estudantes tem forte ligação com a cultura oriental, gostam de assistir animes, ler mangás e séries coreanas.

As "regras" da escola seriam: 
"usar roupas apropriadas;
 não desrespeitar os professores;
 é inaceitável o bullying;
 não pode faltar as aulas;
é permitido usar o celular, mas com moderação."


Esta imagem ao lado demonstra a faixada da escola. Nota-se que há um observatório astronômico na escola.


































O grupo representou detalhadamente a estrutura inteira da escola Stelar com  "sala de química", "sala de informática", "depósito", "banheiro feminino/masculino", "cozinha", "sala dos professores", "diretoria", "vestiário", "deposito" e uma "creche". 



 Na imagem abaixo é possível observar o/a: "planetário", "sala de linguagens", "biblioteca", "sala de telestransporte", "refeitório" e uma "sala comum".


 A área externa seria composta por: "armazém", "cúpula da horta", "sala de realidade virtual", "quadra de futebol e basquete", "sala do observatório astronômico" e "pista de corrida"



GRUPO 2: "E.E.E.F SANVILAS"

Este grupo optou por uma representação mais simples de uma escola ideal. De acordo com eles, a escola ideal seria composta de "quadra de futebol/utilizada para correr também", "quadra de volei", "quadra de karatê", "sala de professores", "secretaria", e "sala de computadores. Este trabalho chamou a minha atenção, pois as cadeiras estão dispostas em fileiras (algo que não acontece na sala real dos estudantes), e há um horário com a disciplinas que serão estudadas durante a semana. Quando perguntei ao grupo o porquê de existir "períodos vagos" e a ausência da disciplina de português. Ele respondeu " Ah, os professores sempre faltam, eles não são de ferro e ficam doentes. E português não tem porque não é importante".

A escola em que leciono, como a maior parte da escolas da rede estadual, sofre constantemente com a falta de professores. Hoje iniciamos o mês de abril e eles ainda não tiveram uma aula única de português.


A partir desta atividade realizada com a turma é possível observar que alguns grupos optaram por realizar escolas com características "interplanetárias", e outros com características mais "terráqueas". Contudo, ambas possuem em sua maioria atributos que podemos encontrar em escolas existentes, como bibliotecas, laboratório de informática, quadra de esporte, horta e sala temáticas. Entretanto, há também particularidades fortemente ligadas com a tecnologia, por exemplo, a sala de realidade virtual, observatório astronômico e planetário.
A totalidade dos desenhos realizados pela turma reflete a realidade da escola brasileira: ausência de professores, sucateamento com a escola pública. Recursos e estruturas básicas, como um laboratório de informática, biblioteca e quadra de esportes entram para a lista de "desejos", pois não fazem parte da escola pública real.