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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Inclusão e o Laudo

      A Nota Técnica 04/2014 do MEC/SECADI/DPEE  garante a educação a todas crianças, jovens e adultos independente de serem pessoas com necessidades educacionais, facilitando assim o processo de inclusão dos estudantes. Neste mês saiu uma reportagem na Revista Nova Escola intitulada “O aluno por trás do laudo”. No texto há a citação da resolução n. 4 do MEC.

      Na escola onde eu leciono, que faz parte da rede estadual de educação, contamos com uma sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), a professora responsável desenvolve atividades para auxiliar na construção do conhecimento dos alunos. Contudo, eu me questiono como ocorre a inclusão dos estudantes com necessidades educacionais em escolas que não tem esse apoio. Nestes casos, penso que o laudo seja importante para o professor saber quais serão as possíveis necessidades e dificuldades do estudante. É claro que a ausência dele não deverá impedir a criança de frequentar a escola.

     “A deficiência é um conceito em evolução, de caráter multidimensional e o envolvimento da pessoa com deficiência na vida comunitária depende de a sociedade assumir sua responsabilidade no processo de inclusão, visto que a deficiência é uma construção social. (MAIOR, s/d,  p.2). Pensando na questão de inclusão fica evidente a importância  da comunidade escolar ( pais, professores, funcionários, gestores entre outros) de assumir a responsabilidade pelo processo de inclusão. E chamo a atenção para o papel dos órgãos públicos de disponibilizar recursos materiais e humanos para que esta inclusão seja efetiva.

      Na escola em que eu leciono há diversos alunos com inclusão, após a realização do dossiê descobri que o número exato é de 39  estudantes. Eles apresentam deficiências, transtornos globais de desenvolvimento (TGD), e há também os estudantes com altar habilidades em determinadas áreas. Na minha sala de aula eu já tive alunos com deficiência visual (baixa visão) e intelectual. Nos sempre contamos com apoio da sala de atendimento especializado (AEE), mas é apenas um atendimento isolado (hora marcada ou auxilio em algum caso de emergência), não tem quem nos auxilie continuamente (turno inteiro). Não existem recursos materiais para auxiliar os estudantes, se eu quisesse criar um jogo para facilitar na aprendizagem, eu deveria construir com os meus próprios materiais. Infelizmente, quando a inclusão ocorre sem investimentos, os alunos e nós professores sofremos muito, mas aprendemos a resolver os problemas. Para o aluno com baixa visão eu costumava fazer a impressão de textos e atividades com letras grandes. Já os estudantes com deficiência intelectual sempre procuro desenvolver atividades que estejam próximas do seu nível intelectual.  


Referências:

MAIOR, Izabel. História, conceito e tipos de deficiência. Disponível em: https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2206621/mod_resource/content/1/Hist%C3%B3ria%2C%20conceito%20e%20tipos%20de%20defici%C3%AAncia.pdf. Acessado em 20 de out. de 2017.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

(Re)Conhecendo a inclusão na escola em que leciono...


O termo Necessidades Educacionais Especiais de acordo com a Declaração de Salamanca (BRASIL, 1994, p.3) refere-se a “a todas aquelas crianças ou jovens cujas necessidades educacionais especiais se originam em função de deficiências ou dificuldades de aprendizagem”. Segundo o Art. 27 da  Lei n.  n. 13.146 de julho de 2015, “ a educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados o sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem”.
 São  considerados objetivos da Política Nacional de Educação Especial na Persceptiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008): transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; atendimento educacional especializado; continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; participação da família e da comunidade; acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes,na comunicação e informação; e Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas.

Dentre estes itens faço destaque para o Atendimento Educacional Especializado (AEE). Na rede publica estadual ele é realizado por professores especialistas na sala de recursos da própria escola, ou em outra instituição de ensino regular  no turno inverso da escola.   Os professores do AEE identificam, elaboram e organizam recursos pedagógicos e de acessibilidade para a construção do conhecimento dos estudantes, considerando as suas necessidades específicas. Na escola em que eu leciono, podemos contar com o apoio do AEE para os nossos estudantes.


Sala de Recursos- Atendimento Educacional Especializado (AEE) – Escola Estadual de                  Ensino Fundamental Prof. Sylvio Torres
Professora responsável: Ana Claudia Côrrea
           Formação: Pedagoga com especialização em Psicopedagogia e Pedagogia Especial em Altas              Habilidades
Ana contou-me que a sala AEE na escola existe há 13 anos, e que no momento ela atende 39 estudantes dos anos iniciais, e 8 dos anos finais do ensino fundamental. Os estudantes apresentam as mais diversas deficiências entre elas: auditiva, visual, intelectual e alguns com múltiplas deficiências. Há também alunos com altas habilidades.
A professora Ana Claudia utiliza variados recursos didáticos para potencializar a aprendizagem dos estudantes, como por exemplo, recursos midiáticos (televisão e computador), jogos pedagógicos, tintas, e materiais recicláveis (revistas, retalhos de tecidos, fitas entre outros). A professora lamenta profundamente a falta de recursos financeiros do estado, pois a ausência destes materiais dificulta o seu trabalho. Comenta que em diversos momentos ela mesma adquire materiais para desenvolver o seu trabalho com as crianças.
            Quando a questionei sobre a inclusão na nossa escola, Ana respondeu que: “Eu acredito que atualmente nenhuma escola é totalmente inclusiva, porque uma escola inclusiva verdadeiramente é aquela em que o aluno é inserido no seu processo de aprendizagem, e não quando o aluno fica em um canto fingindo que aprende e o professor fingindo que ensina. Há falhas neste modelo de inclusão”. Para tentar solucionar este problema segundo a Ana Claudia é necessário o trabalho em conjunto da sala de AEE e o professor regente da classe.  A professora frisou que “Se não ocorre a inclusão, ocorrerá a evasão”.

            Nosso diálogo foi interessante para conhecer com mais detalhes o trabalho desenvolvido pela minha colega na nossa escola , mas o ponto que achei mais significativo foi esta relação sobre a inclusão e evasão.  No parágrafo único do Art. 27 da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) há seguinte afirmação “É dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação.” Portanto, é nosso papel como educadores auxiliar na inclusão dos nossos estudantes com necessidades educacionais especiais, garantindo a eles que a sala de aula seja um ambiente saudável e sem de discriminações.
A educação é direito de todos, e acredito que todo estudante é capaz de aprender, aliás, cada estudante apresenta um processo de aprendizagem singular, com pessoas com necessidades especiais educacionais não seria diferente. Corroborando com esta ideia a  Declaração de Salamanca (BRASIL,1994, p.5) afirma que escolas inclusivas devem “reconhecer e responder às necessidades diversas de seus alunos,  acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade à todos através de um currículo apropriado, arranjos organizacionais, estratégias de ensino, uso de recurso e parceira com as comunidades”. Contudo, penso que é essencial investimento nas escolas para aquisição de recursos materiais para se desenvolver atividades diferenciadas com os estudantes, além de formação permanente de qualidade para os professores.


Referências Bibliográficas:

BRASIL. Declaração de salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: unesco, 1994.

BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015.
Institui a lei brasileira de inclusão da pessoa com deficiência (estatuto da pessoa com deficiência).

BRASIL. Ministério da educação. Secretaria de educação continuada, alfabetização, diversidade e inclusão (secadi). Política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva

SECRETÁRIA ESTADUAL DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Disponível em: http://www.educacao.rs.gov.br/educacao-escpecial

Um agradecimento especial a Profª Ana Claudia que cedeu um pouquinho do seu tempo e da sua sabedoria para que fosse possível a realização deste trabalho!

sábado, 11 de abril de 2015

Atividades Práticas - Desafios e Conquistas





Como é de conhecimento de todos os professores a realização de atividades práticas são muito importantes, pois os alunos assumem o papel de protagonista e colocam na prática os conhecimentos trabalhados durantes as aulas. Com as turmas de sexto ano, nós estávamos estudando o interior do planeta terra e a placas tectônicas. Como os vulcões tem relação com estes assuntos, eu resolvi realizara famosa experiência do vulcão.


A preparação...

                Quando avisei para turma que faríamos esta prática, eles ficaram muito ansiosos e contentes. Eu dividi a turma em grupos de até 5 integrantes e passei a lista dos materiais que seriam necessários para a experiência. A princípio como trabalho em comunidade com pouco poder aquisitivo, eu estava preparada para que poucos alunos levassem os materiais, porém eu tive uma surpresa positiva: já na semana seguinte a grande maioria dos alunos levaram todos os materiais solicitados.
Os sextos anos são turmas numerosas, com uma média de 30 alunos bastante agitados. Por ser uma atividade diferente, eu convidei a professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) Elizabeth Sperb para me auxiliar nesta aula. A professora prontamente aceitou o convite, e me deu algumas dicas sobre como dar andamento a atividade.

A prática....

No dia da atividade prática eu e a professora Elizabeth organizamos a disposição das classes para grupos de 5 integrantes. Infelizmente alguns alunos não trouxeram os materiais e outros não queriam fazer a atividade em grupo, após uma conversa convencemos os alunos a participarem da atividade e os inserimos em grupos.
Nós explicamos as regras para participarem da atividade prática, e em seguida distribuímos os materiais para os seus respectivos grupos. Alguns grupos não tinham todos os materiais solicitados, mas eu já tinha previsto isto e levei alguns itens a mais.
Quando os alunos começaram a construir os vulcões percebeu-se na sala um silêncio... todos os alunos estavam trabalhando juntos, um ajudando os outros. No decorrer da prática nós fomos explicando os próximos passos até que todos tivessem concluído a montagem do vulcão. Na hora em que o vulcão “entrava em erupção”, nós combinamos com a turma que iria ser um de cada vez, e assim poderíamos acompanhar todos os experimentos.
Logo após o término das experiências os grupos tinham que limpar a sujeira que tinham feito, jogando os restos dos materiais no lixo, limpando as classes e varrendo a sala.

Os resultados...

Eu acredito que atividades práticas são essenciais em uma aula de ciências, porém quando nos propomos a fazer nos esbarramos com vários obstáculos, por exemplo, ausência de lugar apropriado, falta de materiais necessários para algumas práticas, o auxílio de um outro professor e o comportamento dos alunos.
Neste caso, eu contei a ajuda da professora Elizabeth. Essa ajuda foi muito importante, com certeza se não tivesse ela os resultados não seriam os mesmos. Os alunos estavam ansiosos e agitados, comportamento esperado devido a uma atividade totalmente diferente do dia a dia deles, com a ajuda da professora nós conseguimos nos dividir e atender os grupos, mantendo a ordem na sala.
Quanto ao comportamento dos alunos, nós tivemos apenas um grupo que teve um comportamento inadequado (eles “pegavam” os materiais dos outros, jogaram argila um no outro e tiveram resistência para limpar a sujeira deles). Porém considerando que tivemos 10 grupos, eu penso que o comportamento no geral tenha sido muito bom. Até alguns alunos que normalmente são inquietos estavam trabalhando bem tranquilos.


Na aula seguinte eu solicitei para os alunos escreverem um pouco sobre o que eles acharam da atividade”. Vocês podem acompanhar abaixo algumas frases dos alunos. Como foi a primeira vez que fizemos uma atividade assim, será necessário aprimorar algumas coisas. Quem sabe não construímos um portfólio de atividades práticas né? Hehehe